Enquanto a soja enfrenta pressão de preços com a supersafra 2025/26, o boi gordo brasileiro vive momento de oportunidade. Com alta de 8,6% acumulada em 2026 até meados de março (dados CEPEA), a pecuária bovina de corte é o segmento mais positivo entre as principais commodities agrícolas monitoradas pelo Farmnews — e as exportações para União Europeia e Rússia explicam boa parte desse desempenho.

Segundo dados do setor compilados pelo Farmnews, as compras de carne bovina brasileira pela Rússia no acumulado até fevereiro de 2026 foram as maiores para o período do ano desde 2017. A UE também se destacou: 14,17 mil toneladas métricas de carne bovina in natura importadas no bimestre, valor superior ao período equivalente de 2025 (12,00 mil toneladas) e o maior patamar ao longo de uma série iniciada em 2018.

Por que a carne bovina brasileira está em alta

Três fatores convergem para explicar o bom momento da proteína animal brasileira no mercado internacional. O primeiro é o fechamento do Estreito de Ormuz no contexto do conflito entre Irã, Israel e EUA, que interrompeu rotas de abastecimento do Oriente Médio e forçou compradores da região a buscar alternativas — incluindo carne brasileira. O segundo é a melhora gradual da demanda europeia, que retomou volumes depois de um período de cautela relacionado a questões sanitárias e de rastreabilidade. O terceiro é a competitividade do real, que com o dólar em torno de R$ 5,16 mantém a carne brasileira atrativa para importadores internacionais mesmo com a valorização da arroba.