Os mercados de milho em 2026 estão sendo escritos tanto em Brasília quanto em Teerã. O conflito entre Irã, Israel e EUA, que resultou no fechamento temporário do Estreito de Ormuz para parte do tráfego de commodities, redirecionou demanda global para o Brasil — que registrou exportações recordes de milho em março de 2026 com 801,7 mil toneladas, alta de 69% frente ao mesmo mês de 2025, segundo dados da ANEC.

Para o produtor brasileiro, esse cenário geopolítico é uma janela de oportunidade. Mas há um problema: o plantio da safrinha está 15 a 20 dias atrasado, pressionado pela colheita lenta da soja. Cada semana de atraso além da janela ideal pode custar de 4 a 6 sacas por hectare de produtividade — e a safra de milho do maior Estado produtor, Mato Grosso, pode sofrer redução de 5% a 12% na produção total.

A janela de plantio da safrinha e o risco real

A janela ideal de plantio para a safrinha em Mato Grosso se encerra na segunda quinzena de fevereiro. Plantios realizados após 10 de março já entram na zona de risco por aumento de probabilidade de veranicos que coincidem com o período crítico de enchimento de grãos. Plantios após 20 de março são considerados inviáveis economicamente pela maioria das análises agronômicas para solos de menor fertilidade.