A safra 2025/26 de soja no Brasil deve atingir 177 milhões de toneladas, segundo projeções da Conab — o maior volume da história. E, paradoxalmente, esse recorde está pressionando as margens do produtor para patamares negativos em diversas regiões do país.
Em Sorriso, Mato Grosso — epicentro da produção mundial de soja — o custo operacional efetivo está próximo de 57 sacas por hectare, enquanto o preço da soja registrou R$ 128,66 por saca na Paranaguá (CEPEA, 14/03/2026), acumula queda de 9,1% no ano e opera próximo do custo para boa parte dos produtores. Quem não tem hedge e vendeu tarde está realizando a pior margem dos últimos cinco anos.
Como chegamos aqui: o mecanismo da supersafra
O mecanismo é claro: produção recordes globais em Brasil, Argentina e EUA somados a demanda chinesa que cresceu menos do que o esperado criaram excedente de oferta. A soja na Bolsa de Chicago (CBOT) opera abaixo de 1.000 centavos de bushel, devolvendo boa parte da alta que sustentou margens positivas entre 2020 e 2023.